segunda-feira, 13 de agosto de 2007

O homem velho


“...Neste fogo onde me aqueço remôo as coisas que penso, repasso o que tenho feito para ver o que mereço!
Quando chegar meu inverno que me vem branqueando o cerro, vai me encontrar venta aberta de coração estreleiro!”

Veterano -1980
Antonio Augusto Ferreira e Everton dos Anjos Ferreira

A doença é sombra da morte... que espreita!Os dias chegam ao fim, o tempo é areia da ampulheta e esta não mais se vira... as ilusões se descortinam. O velho homem pergunta a si mesmo: Quem ele teria sido? Riqueza ou pobreza não faz mais sentido na estrada que finda, atos e palavras são a herança deixada sobre a terra.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

O Rei de mim


O que queres tu, ó triste rei sem súditos?
Porque não abandonas teu trono imaginário?
Os pinheiros são mais imponentes que toda
tua corte e nunca te reverenciarão;
o inverno não te inveja, tampouco te pede
raios de sol.
Por que não te curvas e espera
que tua coroa caia como as folhas do outono!?
Triste homem és tu, esmorecendo diante dos dias,
em busca do espírito guerreiro que deixaste em
um reino distante.
Observo o crepúsculo rubro que zomba
de minha pretensão mortal de alcançar
permanência. O mar me fita com olhos
ameaçadores sobre vagas dançantes.
O rei de mim é o usurpador do trono de minha alma.
Ele veio ao mundo como uma sombra que atormenta
as cabeças coroadas. Todas as batalhas externas
serão em vão, pois o rei de mim hei de ser eu mesmo!

A coluna


A coluna
jornalística
deveria
assemelhar-se
à estrutura
óssea que
nos deixa
em pé.
A coluna
é o ponto
de sustentação,
por isso,
deveria ter
uma postura
correta,
contendo
palavras
e pensamentos
que deixem
ereto e altivo
seu autor.
Fazendo uma
radiografia dos
Colunistas de ZH,
constatei uma
escoliose de
idéias
acentuadas
para a direita.
Ter coluna é
ter poder!
Então, é
imprescindível
que as
extensões e
reflexões não
se dobrem aos
interesses diversos.
Enviei uma carta para ZH observando a parcialidade dos colunistas
deste jornal. A carta foi publicada no dia 15 de maio de 1999. Logo
abaixo da minha carta um outro leitor reclamava que ZH era a " voz do PT".
Achei estranho,pois todos conhecem a antipatia que o grupo RBS tem por
este partido.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

O Vulcão Adormecido - Na Natureza Selvagem

A marginalidade rega minha genialidade,a loucura me procura e dela brota poesia negra com matizes acinzentados,palavras que buscam altares de deuses sombrios me levam acorrentado ao encontro dos chamados da floresta, de lá posso observar as labaredas dançantes que nascem do solo fértil da terra, úmida de súplicas por ela mesma.Paro um momento e espero pelo vento que eleva meu espírito para longe da realidade concreta,agora sou quem mais me faço, um ser etéreo e desconectado,levado pela inspiração de um vulcão ativo,sou sugado pela terra para retornar como um pássaro.
Escrevi isto em homenagem a um grande amigo, alguém que nunca conheci, mas compreendi com toda a minha alma. Quem não teve o impulso de um dia largar a suposta sensação de segurança e correr mundo? . “Os anseios que me afligem de transplantar horizontes” diria Caetano Braum.Não estou falando de tirar fotografias em prédios e monumentos antigos e depois se vangloriar para amigos patéticos. Refiro-me à viagem que todo homem e mulher deveria fazer na vida, a jornada espiritual, sair em busca de nada, porém a espera de tudo! Quem de nós ainda atende o “chamado da floresta?” Chris McCandless atendeu! Um pequeno resumo do livro “Na Natureza Selvagem” que me inspirou a escrever “O vulcão adormecido”: “Um jovem de uma família rica americana que resolve largar todo seu conforto, rasgar seu brilhante diploma universitário, abrir mão de sua fortuna, para partir em busca de sua verdadeira essência: sair pelo mundo em busca de novos desafios e lugares desconhecidos. Depois de mudar até de nome, Chris desaparece pelas estradas do país e somente dois anos e muitas aventuras depois, é encontrado morto, sozinho, dentro de um ônibus abandonado em um lugar totalmente inóspito no estado do Alasca”.

Um verso


“Quando abraça a sua guitarra e desempenha seu solo,
O guitarrista parece a mãe com o filho no colo,
Quando ele fecha os olhos nos prodígios de seu dom,
Viaja pra dentro de si...Navega em ondas de som... “.


Guitarreiro para um guitarrista, de Marco Aurélio Vasconcelos,
em uma Califórnia de Uruguaiana na década de 80.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Infantaria Colorada

Eles marcham a passos largos, arrecadando grupos que fluem por vias secundárias. Ouvem-se, ao longe, cânticos de guerra ganhando vozes a cada esquina; fanáticos cobrem-se de suas cores e estas prolongam-se em estandartes de taquara imensa. Lentamente chegam os ônibus com corpos pendurados, marcando o compasso em sua lataria. É chegada a hora! Carros anunciam o momento, soando buzinas excitadas, enquanto os mercadores incentivam o consumo, produzindo chamados criativos. Os cambistas alardeiam a escassez de ingressos e o tamanho da fila. Resta pouco tempo para o combate e a confusão lá fora deixa a todos aflitos, acelerando passos e corações. Nós somos homens de um tempo sem medo, e aqui nos encontramos prá fazer história. Aos que ficam em casa desejamos tranqüilidade, mas a nossa infantaria anseia sair da vida e ecoar na eternidade. Os torcedores de alma guerreira, indiferentes às vitórias e às derrotas, aqui estão frente à batalha do Rio da Prata, pois representar a nação alvi-rubra significa, para nós, levar milhares de corações pendurados em nossos estandartes, corações emocionados que talvez não suportem o calor da luta. Avançamos, destemidamente, rumo a mística Bombonera, com a certeza de que o tamanho do inimigo valoriza, ainda mais, nossa façanha, e que esta sirva de exemplo a toda terra, pois nunca tantos ficaram devendo tanto a tão poucos!

Um outro mistério...Seu corpo, esta casa onde você mora


“Ser é nascer continuamente!” Esta afirmação revela a possibilidade ilimitada do ser humano em superar-se, buscando a liberdade mental do passado entranhado em suas vivências conscientes e inconscientes. As “paredes” que ouviram de tudo e nada esqueceram revelam nossa realidade interior, que espelha insegurança, rigidez e submissão infantil perante os repressores de nossa espontaneidade. O corpo tornou-se tenso porque nele não estamos. O homem "civilizado" estabelecendo a dicotomia sobrecarregou a mente de maneira impiedosa. Aos que lucidamente se consideram escravos e cúmplices ainda resta uma esperança de liberdade, pois estes reconhecem que também são opressores de corpos adestrados. Essa casa onde você mora é um mistério que se transforma a cada dia. Conhecer nossa mente e nosso coração é dar abrigo a todo tipo de sentimento, sem reprimi-lo nem interpretá-lo de maneira errônea, afinal eles são viajantes que nunca fixam residência. "Inteligência é a qualidade da testemunha; ela observa a mente e dá direção à mente" - Rajneesh. Somente desta maneira é que antagonismos, tensões e conflitos deixarão nosso lar para que as luzes entrem pelas janelas dos sentidos, tornando visível a eterna unidade. Então, poderemos habitar em nossa casa até o fim dos dias.