domingo, 15 de março de 2009

Alguns acordes...mais que mil palavras!

Alço vôo em cordas imaginárias resgatando o sangue

que ferve em minhas veias, para encontrar minha alma

despedaçada como um mosáico de culturas.

Gesto silencioso

Dois punhos cerrados subiram aos céus impulsionados por dor , sofrimento e humilhações , o gesto silencioso gritou por igualdade nos jogos olímpicos da cidade do México em 1968. Os velocistas americanos John Carlos e Tommie Smith correram pelos seus “senhores“ mas no momento mais significativo não perderam a dignidade e nem a memória, descortinaram a ilusão de que viviam na “maior democracia” do mundo. Eles sabiam que os negros americanos continuavam sentados no fundo dos ônibus e não podiam transitar pela mesma calçada que os brancos andavam. John e Tommie depois de seu protesto silencioso foram impedidos de participar de outras provas e também foram expulsos da vila olímpica, retornaram a seu país para sobreviverem como párias recebendo ameaças e caindo no ostracismo. Os excluídos não tinham voz e agora seus gestos silenciosos também sofriam sanções. Os “Senhores dos anéis” não aprovam a mistura de esporte com política , como se quisessem encenar um teatro em que os atores não possuem voz e nem gestos, são marionetes representando a idéia de um mundo perfeito. A inclusão através do esporte é um resgate de uma história de vida, de um contexto desfavorável superado com luta e trabalho árduo, nada mais justo que os atores principais possam representar a si mesmos , lembrando ao mundo que ele não é tão bonito como aparenta.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Tempestade

E se Jonas fosse jogado ao mar não para suplicar calmarias mas para solicitar ventos como sopro de vida? Deixo mares paralisados singrando em busca do caos da tempestade. Confusão, incerteza , expectativas e medos são ares que respiro mas meus olhos marejados brilham como estrelas e garantem a vigília na noite escura. Em morte prematura deixei para trás meu porto seguro. A saudade rasga o peito tirando de lá um coração dividido de um espírito contraditório que muitos julgam mas poucos compreendem!

sábado, 29 de novembro de 2008

O Dia de Hoje

Não há passado e nem futuro, a vida é feita essencialmente de dias. Alguns são bonitos , outros são cinzas mas eles se sucedem infinitamente até o dia"D"...morrer! Seria interessante se tivéssemos nascido com um "prazo de validade". Saberíamos aonde terminariam os nossos dias, a data exata, o último amanhecer, o derradeiro por do sol. Mas se soubéssemos de antemão o dia final, como viveríamos os dias que nos foram dados? A antecipação do fim com hora marcada seria uma benção ou um desespero? Caminharíamos até o dia "D" serenos ou amargurados? Acredito que algumas pessoas correriam desesperadas atrás dos prazeres, afim de provar tudo o que os sentidos nos proporcionam, outras talvez, investiriam em deixar um legado de boas ações e a memória de um nome correto. Mas quem estaria lá, no tal dia? Seria um dia festivo ou um dia triste? O dia vai chegar, com certeza, mas não sabemos quando e isto é uma benção para o dia de hoje!

Van Gogh - Uma pintura de marginal

Quatro tios e um irmão se dedicavam ao comércio de obras de arte,mas ele só conseguiu vender um quadro, um único, em toda a sua vida.Por admiração ou lástima , a irmã de um amigo pagou quatrocentos francos por um óleo, O vinhedo vermelho, pintado em Arles. Mais de um século depois,suas obras são notícia nas páginas financeiras de jornais que ele jamais leu, são as pinturas mais cotadas nas galerias de arte onde nunca entrou, as mais vistas em museus que ignoravam a sua existência e as mais admiradas nas academias que lhe conselharam a se dedicar a outra coisa. Agora Van Gogh decora restaurantes que lhe negariam comida, consultórios de médicos que o trancariam num manicómio e escritórios de advogados que o meteriam na prisão
Texto do Livro "Espelhos" de Eduardo Galeano, comprovando a "tese" que nossos grandes gênios foram marginalizados por medíocres de visão limitada. O irônico é que os medíocres venceram, e hoje ganham dinheiro cultuando gênios que morreram amargurados.