sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Se Deus fosse uma cidade...

..Se Deus fosse uma cidade era o Rio de Janeiro mas forte do que o sol. Abre os braços prá ver, deixa a moça convencer, desistir de ser solteiro. Eu vou rezar prá Yemanjá porque de amar não vou mais morrer Vou me perder nas suas curvas acordar com a mente turva tal a sua realeza o meu Rio de Janeiro, carioca sem pudor , nascer de um sol Arpoador. Beijo na boca de cidade, você é minha real grandeza que se esconde atrás do morro e desponta para o mar... prá ver , ti ver e fazer sonhar. Intérprete - Falcão

Sensibilidade

Enquanto vagamos sonâmbulos pelo mundo existem pequenos milagres acontecendo diante de nossos olhos insensíveis Para muitos o vento é somente transtorno, um saco plástico é apenas sujeira, assim como as folhas que caem colorindo o concreto. O que foi feito da sensibilidade que nos foi dada? Nunca mais veremos os fenômenos que nos cercam com olhos de criança admirada? Quando algumas pessoas sensíveis percebem aquilo que a maioria não enxerga elas vivem dentro de uma grande solidão. São mendigos suplicando compreensão , tentando conduzir pela mão as pessoas a um mundo perdido, o mundo da contemplação, o universo que esquecemos por causa de nossos pensamentos auto referentes. É preciso lembrar todos os dias que a beleza existe e ela é tanta que as vezes nosso coração parece não suportar

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Teoria da relatividade

No princípio havia um homem sério e ele disse aos demais que tudo era a lei . Dizia ele também que falava em nome de Deus. Com este homem não aprendemos muita coisa, somente constatamos que, invariavelmente , a mulher do próximo é mais interessante que a nossa. Então , logo depois surgiu um jovem cabeludo falando de paz e amor, declarando ser Rei e filho de alguém importante. Todos ficaram preocupados e mesmo o rapaz dizendo que seu reino não era deste mundo ninguém gosta de ouvir verdades , ainda mais vindas de um filho de marceneiro. Acabou crucificado por confiar no nosso amor. Passamos séculos fingindo hipocritamente que obedecíamos o primeiro homem e passamos a idolatrar o jovem cabeludo...aquele que nós matamos! Como as idéias de culpa e amor não alteraram em nada a humanidade, uma voz perigosa apareceu exclamando que tudo era o capital e estávamos escravizados por ele. Este homem queria justiça e igualdade, mas sua revolução acabou construindo um muro entre as pessoas. Do lado de lá ou do lado de cá do muro, todos inconscientemente são impulsionados pelo sexo...lembram da mulher do próximo? Estes sonhos e desejos vieram a tona revelados por um psicanalista , que ao longo de sua carreira afirmou que tudo era sexo! Enquanto burlávamos a lei em nome da "mais valia" e falávamos de amor sem colocá-lo em prática, o sexo era o caminho mais curto para preencher o vazio do cotidiano. Os tempos mudaram, mas o homem é basicamente o mesmo. Continuamos em busca da verdade. Qual destes homens históricos disse a verdade? Talvez a resposta esteja na loucura de um cientista, que provocando colocou a língua para fora e sentenciou: "tudo é relativo!!" O ser humano é aquilo que pensa em relação a lei , ao amor, dinheiro e sexo.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Enterrem meu coração na curva do rio

“Caía o crepúsculo quando a coluna passou pela última elevação e começou a descer o declive rumo ao riacho chamado Wounded Knee. A poeira invernal e os minúsculos cristais de gelo dançando à luz agonizante , acrescentavam uma qualidade sobrenatural à paisagem sombria. Em alguma parte das proximidades desse riacho gelado jazia o coração de Cavalo Doido num lugar secreto, e os dançarinos fantasmas acreditavam que seu espírito sem corpo esperava impacientemente pela nova terra que certamente viria com a primeira grama verde da primavera.” Trecho do livro de Dee Brow ; Enterrem meu coração na curva do rio Resposta do chefe Seattle à proposta do presidente dos Estados Unidos para comprar suas terras em 1854 “Se nós vendermos nossa terra , vós deveis lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e também vossos. E vós deveis dar aos rios a ternura que mostrais a um irmão. Sabemos que o homem branco não entende nossos costumes . Um pedaço de terra , para ele , é igual ao pedaço de terra vizinho, pois é um estranho que chega ,às escuras, e se apossa da terra de quem tem necessidade. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e uma vez conquistada , o homem branco vai mais longe. Seu apetite arrasará a terra e não deixará nela mais que um deserto.” “O que é o homem sem os animais? Se os animais desaparecerem , o homem morrerá dentro de uma grande solidão. Ensinai também a vossos filhos aquilo que ensinaremos aos nossos: que a terra é nossa mãe. Dizei a eles que a respeitem , pois tudo que acontecer à terra acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no chão , eles cospem sobre eles mesmos. Ao menos sabemos isto: a terra não é do homem ; o homem pertence à terra. Todas as coisas são dependentes. Não foi o homem que teceu a teia de sua vida, ele não passa de um fio dessa teia. Tudo que fizer para essa teia estará fazendo a si mesmo.” Parece mentira que o homem branco “civilizado” pudesse encontrar no meio das planícies e lugares ermos e selvagens uma raça de homens com grande poder de expressão poética. Os povos nativos que habitavam a terra e dela viviam - antes da “civilização” chegar até eles trazendo a cruz e a espada- compreendiam a natureza numa relação de interdependência que parece descabida na nossa ótica de conquistas e “progressos”. Nossa ambição mesquinha dizimou covardemente culturas inteiras em nome do comércio e de valores hipócritas, e , ainda hoje, continuamos desprezando os remanescentes destas sociedades primitivas... porém sábias!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

El viaje del "chê"

" Yo escuchaba chapotear en el barco los pies decalzos y presentía los rostros anochecidos de hambre. Mi corazón fue un péndolo entre ella y la calle. Yo no sé con qué fuerza me libré de sus ojos, me zafé de sus brazos. Ella quedó nublando de lágrimas su angustia tras de la lluvia y el cristal, pero incapaz para gritarme: ¡ Espérame, yo me marcho contigo!" Miguel Otero Silva

El Viaje

O instinto é coletivo meu irmão