sexta-feira, 17 de outubro de 2008
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Notas de Viagem
Parc Estació del Nord , Barcelona , inverno de 2007
Um homem velho corre atrás de uma criança num espiral de árvores secas dentro do Parc Estació del Nord. O menino corre sorrindo num jogo de "gato e rato" com o senhor de cabelos cinzentos. Presumo , de longe , que o velho está dizendo: "Agora te pego...agora te pego"! A brincadeira torna-se cada vez mais prazerosa , o riso transforma-se em gargalhada. O velho alcança a criança como também um dia aqueles que vivenciaram a infância chegarão na velhice. Os dois caminham agora lado a lado em minha direção. O senhor percebeu que eu os estava fotografando, são neto e avô. O velho puxa conversa..."De donde eres"? "Brasil"!?
"Mira, este caballero es de un país muy grande"! - explica para o neto que está olhando de baixo para cima com uma expressão de curiosidade no rostinho suado. Conversamos por alguns instantes. O neto estava visitando o avô em Barcelona, os dois são judeus, o pequenino mora em Tel Aviv, cabelos cinzentos é professor de artes em uma escola da cidade. Trocamos sorrisos e palavras amistosas, e assim como se aproximaram também se afastaram... alegres! Observo os dois se distanciando e penso que as fases extremas de uma vida - infância e velhice – deveriam caminhar juntas, de mãos dadas e sorrindo.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Linhas tênues em minha mão
Uma linha tênue separa a vida da morte e a arrogância da autoconfiança.
A arrogância não percebe a linha pois olha de cima para baixo, quando
deveria olhar para dentro. A autoconfiança tem discernimento e dá rumo
ao traçado de sua própria linha.
Uma linha tênue separa a vida da morte e a esperança da ilusão.
Quando nossos sonhos permanecem sonhos a linha se evapora deixando
no presente um gosto amargo de ilusão e uma esperança sem futuro
Uma linha tênue separa a vida da morte e a individualidade do egoísmo.
O egoísta não se da conta da linha e tropeça no traçado de outros egos.
A individualidade floresce quando percebe o emaranhado de interesses
que se contrapõem sem levar em conta o coletivo.
Uma linha tênue separa a vida da morte e a segurança da acomodação.
A acomodação nunca se indaga, com medo de perceber como é frágil
a segurança que ela julga ter.
sábado, 20 de setembro de 2008
20 de Setembro
O silêncio era completo. O vento agitava as bandeiras, os cabelos, as crinas dos cavalos.
- São sem número as injustiças feitas pelo governo: seu despotismo é o mais atroz. E sofreremos calados tanta infâmia? Não!
As lanças mais uma vez subiram aos céus.
- Nossos compatriotas , os rio–grandenses , estão dispostos como nós a não sofrer por mais tempo a prepotência de um governo tirano. Arbitrário e cruel, como o atual. Em todos ao ângulos da província não soa outro eco que independência, República ,Liberdade ou Morte!
Nova aclamação sobe das tropas . Os cavalos escarvam o chão
- Este eco majestoso que tão constantemente repetis, como uma parte deste solo de homens livres , me faz declarar que proclamamos nossa independência provincial, para o que nos dão bastante direito nossos trabalhos pela liberdade e o triunfo que ontem obtivestes sobre estes miseráveis escravos do poder absoluto!
A pausa foi preenchida pelo vento assobiando no pampa.
- Camaradas – A voz de Joaquim Pedro agora estava deformada pela emoção- Nós , que compomos a primeira brigada do Exercito liberal, devemos ser os primeiros a proclamar , como proclamamos , a independência desta província , a qual fica desligada das demais do Império e forma um estado livre e independente , com o título de República Rio–Grandense, e cujo o manifesto às nações civilizadas se fará competentemente.
Um murmúrio percorreu a tropa.
- Camaradas! – Joaquim Pedro desembainhou a espada . Gritemos pela primeira vez : Viva a República Rio-Grandense! Viva a Independência!
Viva o exército Republicano Rio-Grandense!
As aclamações sobem novamente. Os vivas se repetem. Os cavalos empinam, relincham, sentem a tensão no ar.
Trecho do livro "Os varões assinalados" de meu conterrâneo Tabajara Ruas
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Simplicidade
Simplicidade
do Lat. simplicitates. f.,
qualidade do que é simples;
modéstia;
naturalidade;
candura;
ingenuidade;
credulidade.
Se quiser encontrar um exemplo para seguir, deve procurá-lo entre gente simples e humilde. Só existe verdadeira grandeza entre aqueles que não se exibem e não se compreendem como grandes
Leon Tolstoi
Leio em um jornal a notícia de uma cerimônia de casamento "extremamente simples". Nesta festa realizada no Country club , foram servidos Tranche (?!) de salmão e crosta de gergelim(?!) melado de laranja e mousseline (?!) de mandioquinha e filé de rês e risoto de aspargos. A noiva trouxe um "tecido simples" de Dubai para confeccionar seu vestido com um "simplíssimo" estilista e a mãe da noiva comprou um simplório vestido- em tons de cobre! – na cidade de Paris. Qual é o significado da palavra simplicidade para a colunista que escreveu a matéria ? Será que em nosso País a simplicidade tornou-se relativa?
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Meu povo
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