quinta-feira, 10 de abril de 2008

Into the wild


A busca de " si mesmo" é suprimida e muitas vezes até ridicularizada, mas sem ela nada mais vale a pena. É preferível viver pouco sendo você mesmo do que durar uma eternidade sem se conhecer!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Sócrates


A revolução consiste no entendimento do processo da civilização, a mentalidade que nos domina é uma herança perversa onde os revolucionários ,hoje exaltados, amargaram a incompreensão de seus contemporâneos, as instituições estabelecidas nunca deixaram de excluir os “marginais” que ameaçavam o poder. Ironicamente estes contestadores e críticos do seu próprio tempo são canonizados pela mesma estrutura social que os condenou anteriormente. Os faróis que iluminaram a antiguidade permanecem isolados em uma ilha e os Fariseus de outrora continuam onde sempre estiveram...

quarta-feira, 26 de março de 2008

Sobre Homens e ovelhas


Uma fábula nos conta que um grande mágico reuniu ovelhas e jogou sobre elas uma magnífica ilusão; nenhuma ovelha se reconheceria como tal, desta forma, alterando a percepção em relação a sua própria natureza as ovelhas poderiam olhar um imenso rebanho a sua volta ignorando que dele faziam parte. E assim sendo o Mago recolhia uma ovelha por dia para abater e comer enquanto o resto do rebanho permanecia imóvel e silencioso. Desconhecendo a sua condição as ovelhas iam sendo abatidas uma a uma sem mostrar desespero, pois na mente delas existia a distinção do alheio ao qual não pertenciam. Existe alguma semelhança entre ovelhas e homens? Émile Durkhein sugere que;

“Os valores e as crenças mantidos por uma cultura conduzem o comportamento de seus membros sem que eles saibam”.

A sensação de distanciamento nos mantém interessados na sociedade como um “objeto exterior” a nossa personalidade, porém esta distinção é visão ilusória e ingênua. Tal como as ovelhas somos manipulados e hipnotizados por consumo, valores superficiais e busca constante de afirmação da personalidade. A contradição é que se o indivíduo não reconhecer a sua condição de pertencer ao rebanho, principalmente no que se refere a aspectos negativos de uma sociedade, essa mesma personalidade não se desenvolverá de forma saudável, condenando o homem a repetir os padrões de comportamento que lhe roubam a felicidade.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Barcelona - Um rascunho perdido

" Yo escuchaba chapotear en el barco los pies decalzos y presentía los rostros anochecidos de hambre. Mi corazón fue un péndolo entre ella y la calle.
Yo no sé con qué fuerza me libré de sus ojos, me zafé de sus brazos.
Ella quedó nublando de lágrimas su angustia tras de la lluvia y el cristal, pero incapaz para gritarme: ¡ Espérame, yo me marcho contigo!"
Miguel Otero Silva
Cheguei em Barcelona dia 6 de dezembro de 2007 na " ansia de transplantar horizontes"! Aqui me encontro sem compreender o que me impulsionou a cruzar o atlantico. Que espírito é esse que nunca se aquieta?Desembarquei e peguei o aerobus até a plaça catalunya junto com um casal de brasileiros e seu filho já crescido. Barcelona ferve e percebo distintos idiomas na famosa plaça, parece que o mundo todo marcou um encontro nesta cidade; punks, senhoras e senhores, pretos , brancos e coloridos... estão todos aqui! Barcelona era o que eu pensava e muito mais! Minha primeira impressao foi de deslumbramento, talvez por estar conhecendo a europa recem agora... com 38 nas costas! A fachada dos prédios antigos da Gran via de los cortes catalanes foi meu primeiro impacto. Quando se sai de um país novo como o Brasil não se tem noçao de quantos secúlos podem nos comtemplar do alto de prédios europeus. Meu primeiro dia foi proveitoso , pois comecei minha exploraçao pelas ruelas medievais de el born, e no meio destas surge, quase como um susto, uma magnifica igreja gótica chamada Santa maria del mar, esplendorosa e simples ao mesmo tempo.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Poder


Demorei a entender os caminhos que levam ao poder e os atalhos que somos tentados a seguir quando a vida nos parece dura. O eufemismo sobrepõe a realidade quando se trata de definir os jogos de ascensão que a imensa maioria se submete a fim de chegar ao poder. Ninguém reconhece em si mesmo a luta compulsiva travada para comandar, influenciar, impor sua vontade no meio em que vive, seja ele uma grande entidade ou um diminuto espaço que consideramos nosso por merecimento. Olhem para as suas “boas intenções” e lá terá uma fagulha de desejo de poder. O ego sempre dá as cartas quando é confrontado com princípios, ele é protegido pela recompensa da fama e da fortuna. Ninguém suporta o ostracismo da honestidade, o ato correto é sempre silencioso! São os poderosos homens públicos que construíram a história, déspotas e manipuladores se perpetuaram no poder e são eternizados com nomes de praças públicas, avenidas, colégios e Universidades. E assim caminha a humanidade...A longa estrada percorrida pelos justos é cercada por lama e dinheiro fácil, o reconhecimento tarda e às vezes falha deixando o homem reto com dúvidas amplificadas; Por que ainda hoje os políticos possuem status? Por que os mentirosos são homenageados? Por que admiramos “ celebridades”? Por que corruptos ocupam cargos de liderança? Os fins justificam os meios?

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Payada - Jayme Caetano Braun


...Se a História não os condena, a mancha nunca se apaga!A opressão jamais indaga na sua ambição mesquinha.Era meu tudo o que tinha, era meu tudo o que havia,e eu morri porque dizia que aquela terra era minha


Mas o eterno não morre, porque permaneço vivo...No lampejo primitivo de cada fato que ocorre o meu sangue rubro corre na velha raça gaudéria, corcoveando em cada artéria pela miscigenação, na bárbara transfusão com os andarengos da Ibéria...


Fui sempre aquilo que sou, sou sempre aquilo que fui, porque a vida não dilui o que a mãe terra gerou...Sou o brasedo que ficou e aceso permaneceu, sou o gaúcho que cresceu junto aos fortins de combate e já estava tomando mate quando a pátria amanheceu!


E assim, crescendo ao relento, criado longe do pai, junto ao mar doce - o Uruguai -, o rio do meu nascimento, soldado sem regimento no quartel da imensidade...Um dia me deu vontade, deixei crescer toda a crina e me amasiei com uma china que chamei de Liberdade!



Esta é uma parte do poema PAYADA de JAYME CAETANO BRAUN o maior poeta que o Rio Grande do Sul conheceu, este poema fala da formação do fronteiro, o GAÚCHO autêntico que sofreu com as invasões e guerras mas que " aceso permaneceu"!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A Casa Branca



Dizem os sábios que nunca retornamos ao mesmo lugar, nunca cruzamos o mesmo rio e jamais seremos hoje o que fomos ontem, mas as memórias alimentam minha alma... Então fujo em pensamento para os campos da fronteira, lá longe, onde se encontra a Casa branca da minha infância. Recordo dos tempos em que observei atentamente o que me cercava na vida simples da estância, lembro que a cozinha era domínio feminino, um ventre acolhendo os de casa e os de fora. Ali se encontrava o coração e, é claro, o estômago da Casa branca. Panelas penduradas em cima do fogão preto, uma braçada de lenha no canto e a mesa de madeira comprida que era quase um improviso. O crepitar da lenha e o ronco da panela de ferro faziam aromas ganharem caminhos, e todos se achegavam de mansinho como quem pede licença e se desculpa pelo instinto. Quando o povo sentava-se à mesa grande o cheiro precedia o gosto e o silêncio era rompido por murmúrios de satisfação. A comida era farta e bem temperada, e bota manjerona, salsa, cebola, e alho nisso! Lembranças são associações estimuladas pelos sentidos e de tudo que a criança vê, ouve, toca, cheira e prova o gosto, resta apenas aquilo que lhe fascina. Até hoje procuro a receita de tamanha harmonia servida em pratos de simplicidade, mas meus sentidos envelheceram com o tempo e só tenho essas recordações, limpas e claras como uma casa branca em minha mente.



Escrevi este texto para a revista de um amigo. A publicação se chamava SABOR. A Casa Branca a que me refiro é a Estância de uma tia que fica no município de Alegrete, este local foi para mim uma referência de recordações e imagens no coração do pampa Gaúcho.